Como aprender a lidar melhor com as adversidades?

Como disse Cortella em seu livro “Não nascemos prontos”: “Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar”. Esta é uma característica essencial do líder, e não estamos mencionando cargos ou hierarquias, mas uma questão essencialmente humana, direcionada àqueles com capacidade de motivar pessoas e equipes em torno de um propósito significativo.
Com este espírito de aguçar temas importantes para discussões que possam reverberar e promover o autoconhecimento, neste ano de 2021 os eventos “Encontro para Mudanças” da Dynamica têm como tema central o Desenvolvimento Humano.

Esta série de eventos acontece desde 2012, quando o mundo ainda era totalmente presencial, e nos traz momentos prazerosos em que colocamos em prática o “Conhecer e Transformar”; aliás, fomentar conhecimento tem sido nosso foco de atuação, seja por meio de nossos cursos de Certificação e Formação e Gestão de Mudanças Organizacionais; pela quarta edição da Pesquisa que avaliará o grau de maturidade das organizações em Transformação, a ser lançada em julho, ou das publicações quinzenais em nosso blog, resultado de intensa pesquisa e curadoria de conteúdo.

Nesta segunda edição do Encontros para Mudanças de 2021, os participantes puderam conversar e tomar contato com um método estruturado para vivenciar e se auto-observar em relação à Resiliência, como veremos.

Mas antes de avançarmos, aproveitamos para convidar para a próxima edição deste evento, que terá como tema “Universo das Organizações Ágeis e desenvolvimento de Pessoas”.

Resiliência como estratégia individual frente às mudanças

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A resiliência, uma das competências mais desejadas no universo corporativo, pode ser desenvolvida e ajudar as pessoas a se tornarem mais preparadas para as angústias e ansiedades do mundo BANI.

As convidadas e especialistas no tema, Mônica Martin e Nilza Bueno, ambas formadas pela Sociedade Brasileira de Resiliência (SOBRARE), explicaram que cada um se comporta de modo particular frente ao estresse, que é “qualquer reação física e emocional às demandas adversas impostas”.

Isto porque o que gera o estresse é o modo como cada um reage à situação; é a avaliação e a percepção de como se enxerga o cenário e se é capaz de lidar com as condições adversas. “Vemos o mundo pelas lentes das nossas crenças, nossos valores, nossos princípios. Essas crenças são tão profundas que podem se tornar verdades absolutas. São elas que podem distorcer a realidade dos fatos e trazer impactos em nossa vida’, explicou Mônica. As primeiras de algumas provocações lançadas foram: “Que verdades absolutas você absorveu ao longo da vida?” e “Qual o impacto destas verdades na sua vida?”.

Abordagem Resiliente

Desenvolvido pelo pesquisador, psicólogo e fundador da Sociedade Brasileira de Resiliência, Dr. George Barbosa (foto), esta metodologia tem como pressupostos a Teoria Cognitivo Comportamental e a Psicologia Positiva e indica que a Resiliência é um atributo, passível de ser aprendido e sua essência está no autoconhecimento. Nesta abordagem, ao contrário do que muitos pensam se tratar de “apanhar sorrindo”, como explica o próprio George, em entrevista exclusiva: “é necessário saber onde, estrategicamente, se posicionar para suportar e se recuperar de uma adversidade ou forte desafio, mas sabendo que cada pessoa tem características e crenças diferentes sobre uma mesma situação adversa. Ninguém é resiliente, mas está resiliente para determinadas situações e pode se desenvolver em qualquer momento da vida.

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Dr. George Barbosa

“O caminho é o autoconhecimento”. George explica como opera esta metodologia na prática, etapas que Mônica Martin e Nilza Bueno detalharam aos participantes do Encontros: “Mapeamos a resiliência, organizando-a em 8 principais áreas de crenças essenciais, em uma escala que chegamos, por meio de análise fatorial estatística (veja na seção Da Passividade à Intolerância). Com resultados em mãos teremos um mapa de como está a resiliência daquela pessoa ou equipe e podemos atuar, de forma concreta, nas áreas com dificuldade quanto à tomada de decisão, e ajudá-la a se flexibilizar mais onde estiver precisando”.

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Monica Martin

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Nilza Bueno

Da Passividade à Intolerância

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Fonte: Material adaptado pela Dynamica com base na apresentação realizada

Para cada uma das 8 áreas essenciais, as pessoas ou equipes mapeiam qual o seu padrão de comportamento frente ao estresse, que pode ser de Passividade (tendência a acatar a fonte de estresse), Intolerância (quando sua resposta é “atacar” a fonte de estresse) ou Equilíbrio. No padrão de Passividade, as pessoas têm pouca reação assertiva, pois acreditam que nada vai mudar; já o extremo da tendência à Intolerância é representado pelo estereótipo das pessoas que “não levam desaforo para casa” e a emoção central é a raiva. O terceiro padrão é o Equilíbrio, em que pessoas têm flexibilidade como padrão de comportamento e conseguem avaliar a situação adversa e decidir se existe a necessidade de agir na direção ou se o momento é de recuar, para uma melhor tomada de decisão.

“Como se trabalha com esquemas de crenças básicas, estruturantes, e as situações que são apresentadas são reflexos do comportamento humano, esta fotografia mostra um período de vida. As pessoas conseguem obter mudanças de comportamento para estes períodos, ou seja, ressignificar, refazer crenças e, efetivamente, agir diferente reorganizando o conteúdo dos esquemas. Algumas pessoas são rápidas, outras vão precisar de muito mais tempo e apoio profissional”, explica George.

Líderes Resilientes: uma jornada que nos prepara para o enfrentamento do estresse

Publicamos recentemente um blog mostrando que nunca foi tão difícil liderar e que os líderes devem buscar autoconhecimento e ajuda em momentos de intensa ansiedade. Como disse William Shakespeare “Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito”. Proporcionar meios para superação das adversidades faz parte da missão da Dynamica. Neste momento de pandemia, em que a incerteza quanto ao futuro permeia a maioria dos brasileiros, manter o autocontrole emocional é uma prova de consistência. “O que se vê são líderes fazendo o serviço de quatro pessoas.

A insegurança é tanta, que as pessoas ficaram sem reações. Isso gera doenças e o burnout”; indica George. O problema é tão sério que, em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o Burnout como “síndrome resultante de estresse crônico no trabalho” e a incluiu na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-11), que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2022.

Desenvolver a resiliência neste momento é um dos caminhos do autoconhecimento para que os líderes estejam mais fortalecidos, mantenham sua criatividade, saúde e possam transmitir isso a seus liderados.
O primeiro passo é a percepção de como faz suas escolhas, como lida com mudanças. Tomar consciência de quais são suas crenças arraigadas o permitirá reorganizar estas convicções e ressignificá-las para mudar, enfim, comportamentos que o impedem de conseguir o que deseja.
O passo seguinte é se tornar mais flexível e adaptável na forma de pensar, fazer escolhas mais estratégicas e sustentáveis com o que deseja – ou seja, mais coerentes.
“Em 2021 as relações ficaram muito complicadas. Uma dica que eu daria aos líderes é que mensurem sua autopercepção de 0 a 10, em como está sua passividade e sua intolerância em situações difíceis: seja em casa com seus familiares ou no trabalho, junto a sua equipe. Faça isso durante 4 semanas e, então, preencha uma nova percepção. Analise o que precisa trabalhar em cada uma dessas áreas para buscar equilíbrio e trazer mais leveza para sua vida. Algumas pessoas vão cair em si e concluir: preciso conversar com alguém”, considera George.
Ao desenvolver resiliência por meio do treino das competências internas, as pessoas aprendem e adquirem um modo positivo, coerente e flexível de administrar as situações de adversidades.

As 08 áreas constitutivas da resiliência

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Como vimos, a resiliência é composta por agrupamentos de crenças que são acionadas e que determinam o nosso comportamento, principalmente os relacionados com os enfrentamentos da vida, superação e autorrealização. Com base na Abordagem Resiliente, esses agrupamentos são chamados de Modelos de Crenças Determinantes (MCDs). Quanto mais harmonia houver entre os pensamentos, crenças e as reações que acontecem em nosso corpo, maior será a possibilidade de qualificar a resiliência e o equilíbrio saudável entre as nossas reações físicas e a expressão da mente.

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Fonte: Adaptação da Dynamica ao e-book Resiliência e o Mundo Vuca

Dicas da Dynamica

  • Repense suas crenças. Ser flexível amplia horizontes e possibilidades de respostas
  • Trabalhe com propósito. Compartilhe sempre o propósito com seu time
  • Busque ser um Líder que tenha atitudes resilientes e comece pelo autoconhecimento
  • Coloque a pessoa no centro das prioridades: empatia e solidariedade fortalecem os vínculos
  • Crie um ambiente transparente e seguro para que todas as ideias possam ser discutidas
  • Cuide das pessoas ao seu redor, a começar por si mesmo
  • Busque o equilíbrio a todo o instante, avaliando a realidade dos fatos e tomando decisões estratégicas frente aos desafios

Participe do próximo Encontros para Mudanças que trará o tema “Universo das Organizações Ágeis e desenvolvimento de Pessoas” no dia 26/05 das 18h30 às 20h. Se inscreva e reserva sua vaga.

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