Segurança da Informação em Tempos de Fake News

Diferente do que possamos pensar, a informação falsa, hoje chamada de Fake News, já faz, há muito tempo, parte da nossa história. Desde algumas obras literárias medievais que apresentaram em suas entrelinhas inverdades sobre fatos e pessoas, desafetos dos escritores, até o jornalismo profissional, que sofreu em certos momentos com o “fantasma” da desinformação e da constante presença do sensacionalismo. Impedir que notícias falsas prejudiquem a sociedade sempre foi um desafio.

Com a evolução tecnológica e o surgimento da internet, a divulgação de conhecimento e informação aumentou exponencialmente, tanto no alcance demográfico como na velocidade. Fatos que aconteciam em um lugar e levavam dias para serem conhecidos por pessoas de outro lugar são divulgados instantaneamente na internet e acessados por milhões de pessoas, muitas vezes, através das redes sociais.

A tecnologia conseguiu diminuir barreiras e tornar a informação disponível para qualquer pessoa de uma maneira fácil e rápida. Contudo, na mesma proporção, o antigo fantasma da desinformação cresceu e o desafio de impedir que ele prejudique as pessoas é, a cada dia, mais difícil.

Um pouco da evolução tecnológica

A evolução tecnológica das últimas décadas é, indiscutivelmente, um advento sem precedentes. Enquanto a fase da evolução tecnológica mecanizada e industrial levou cerca de 300 anos para se consolidar (do fim da Idade Média até a metade do século XX), a evolução do que chamamos de fase de automação ou tecnologia de ponta levou apenas 40 anos para se estabelecer, tendo seu fim marcado nos anos 90 onde começamos a nos preocupar, tardiamente, com os efeitos que essa evolução causa ao meio ambiente, iniciando-se então a fase de tecnologia limpa e sustentabilidade.

Dentro dessa nova fase, podemos perceber uma evolução tecnológica muito mais acelerada. Desde o surgimento do Google, no final dos anos 90 até hoje, são apenas 25 anos. Nesse período, a internet se consolida como a ponte para a globalização. Comunicar-se nunca se tornou tão fácil e atrativo. Aplicativos de comunicação por texto foram criados e a distância já não era mais barreira para aproximar pessoas. Com o tempo, a tecnologia permitiu que não somente pessoas conhecidas poderiam se comunicar, mas a humanidade poderia conhecer uns aos outros, numa rede de pessoas com particularidades similares, com costumes, gostos e aptidões parecidos. Nasce o Orkut.

Nesse momento, a popularização da tecnologia teve como entrave a dificuldade de acesso aos equipamentos, aos computadores. Como fazer que as pessoas tivessem acesso fácil à internet e esse universo que permitiria a comunicação em massa? A palavra comunicação remetia à outra grande evolução tecnológica, a telefonia móvel. Então, porque não adaptar os aparelhos celulares para serem “minicomputadores” capazes de tornar essa comunicação mundial mais efetiva e popular? Surge então o smartphone, o iPhone e os apps. A tecnologia estava, literalmente, à mão de todos.

Além da tecnologia

O breve relato sobre a evolução tecnológica nos últimos anos e a sua popularização pode nos remeter a um pensamento: a tecnologia é a grande vilã no cenário atual da desinformação, da disseminação das Fake News.

Esse, com certeza, é o caminho mais fácil para tentar justificar um dos grandes males atuais da humanidade que, conforme mencionado pelo CEO da Apple, Tim Cook, “está matando a mente das pessoas”.

Como toda evolução que traz, junto com os inúmeros benefícios, grandes problemas, a tecnológica não poderia ser diferente. Contudo, uma das evoluções mais importantes não aconteceu, principalmente em países como o Brasil: a evolução educacional. A leitura e interpretação de textos, com reflexões sobre determinados assuntos, se tornou coisa do passado e, com isso, a informação falsa se tornou “verdade”, principalmente quando alinhada com alguma crença pessoal. Essa tendência é chamada de viés de confirmação onde aceitamos qualquer informação que confirme ser verdade algo que acreditamos e que ignoremos quaisquer informações que sejam contra essa crença.

Vale lembrar que essa evolução educacional não está somente ligada ao sistema de educação, mas, também, na formação de base onde incluímos a família. Nessa formação devemos incluir o uso responsável da tecnologia como um meio de exercer a cidadania e de adquirir e transformar conhecimento. Ao receber uma informação, muitas pessoas não analisam se é realmente verdade, qual a fonte dessa informação, se a pessoa que enviou tem por padrão enviar mensagens sem analisar. A facilidade e velocidade que a informação ficou disponível a todos, criou uma banalização sobre a importância que esta tem para formação de opinião e de mudanças no comportamento da sociedade.

O comportamento em relação às informações falsas ratificou o uso da palavra “pós-verdade”. Um neologismo para descrever a situação na qual algo que parece ser verdade é mais importante que a própria verdade, ou seja, para a formação de uma opinião pública sobre determinado assunto, os fatos objetivos têm menos influência do que os apelos emocionais. E seguindo esse apelo, as notícias falsas atraem mais e mais pessoas que, sem o senso crítico sobre a informação, ajudam na sua divulgação criando um ciclo vicioso de desinformação.

Com certeza, a tecnologia tem grande responsabilidade nesse cenário, possibilitando a propagação de Fake News através de redes sociais, aplicativos de mensagens e até mesmo e-mails falsos. No entanto, ela também é o canal de combate a essa cultura. Nos últimos anos, várias ações foram feitas para que a segurança de informação tenha um papel fundamental nos crimes que envolvem as Fake News, evitando prejuízos a sociedade.

 

Os crimes por trás das Fake News

Além de todos os males que a divulgação de Fake News causa à sociedade como a legitimação da violência, o preconceito, o descrédito à ciência e muitas outras, as mensagens falsas também permitem crimes cibernéticos, como roubo de informações confidenciais, vendas falsas e desfalques financeiros.

Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, em 2018, um dos maiores canais de divulgação de Fake News são os grupos de família criados no aplicativo WhatsApp. Muitas dessas mensagens são transmitidas através de imagens ou vídeos que, ao serem acionados, disparam códigos maliciosos (malware) que infectam os aparelhos com vírus que roubam informações e realizam fraudes. Também, muitas dessas notícias podem conter links que direcionam para sites que hospedam essas notícias e neles contém iscas para cliques (os chamados Clickbait) com mensagens apelativas que induz o usuário a clicar e, consequentemente, permitir o acesso a informações gravadas no equipamento como senhas e informações financeiras que possibilitem fraudes, além da lista de contatos que possibilita aumentar a abrangência da sua ação criminosa.

Além das mensagens, as Fake News podem ser enviadas através de e-mails, contendo também códigos maliciosos. Essa maneira afeta, em grande parte, os ambientes corporativos. Funcionários que ainda não aplicam boas práticas de segurança de informação clicam nesses e-mails e, com isso, podem ameaçar toda a rede da empresa, se esta não estiver devidamente protegida. Contatos de clientes e fornecedores também podem ser roubados e, até em alguns casos, redes compartilhadas entre empresas podem ser portas de ataques criminosos.

Ainda estamos longe de uma cultura de uso consciente da tecnologia. Com isso, a segurança da informação tem um papel fundamental na proteção de dados das empresas e das pessoas.

O papel da segurança de informação

A disseminação das Fake News trouxe um grande desafio relacionado à segurança de informação. Qualquer usuário, atualmente, pode ser uma porta de ataque às empresas e, com isso, as políticas de segurança tiveram que compor regras mais rígidas de acesso às redes por dispositivos móveis dos seus funcionários.

As informações digitais se tornaram um dos principais produtos na era atual. Com a velocidade que as informações são transmitidas na internet e redes sociais, elas podem ser lidas por milhões de pessoas e, também, podem ser manipuladas e usadas para fraudes e uso indevido de dados.

A preocupação com essas informações e a forma que os dados pessoais são compartilhados na internet motivou a criação da Lei Geral de Proteção de Dados, que estabelece princípios e critérios para coleta, armazenamento e compartilhamento de dados pessoais. A implementação das melhores práticas direcionadas pela LGPD minimiza os riscos de ataques e de uso indevido de informação além de promover a transparência na guarda e uso de dados pessoais evitando a prática de crimes cibernéticos.

Além do investimento em ferramentas, serviços, criação de regras e níveis de acesso, as empresas devem ter como meta em sua política de segurança de informação manter uma comunicação ativa e recorrente para disseminar a cultura de uso consciente da tecnologia pelos colaboradores. Apresentar os riscos que traz a desatenção a certos cuidados no dia a dia e ativar o senso de urgência sobre as mudanças de comportamento necessárias para que prejuízos pessoais, como roubo de informações e fraudes, sejam evitados.

A conscientização sobre a gravidade da disseminação de Fake News é essencial. Muitas pessoas não têm a dimensão do que essa prática está causando à sociedade, não só relacionado a prejuízos financeiros, mas ao comportamento humano, com riscos para a saúde pública, incentivo ao preconceito e violência.

Dicas Dynamica: Qual o seu papel?

Vimos que a tecnologia e a segurança de informação são essenciais na guerra contra a desinformação pela disseminação de Fake News. Contudo, o papel mais importante é o nosso que consome essa tecnologia e a informação que transita por ela.

Dar atenção a alguns detalhes simples podem fazer toda a diferença e ajudar na mudança de cultura sobre o compartilhamento de informações:

  1. Considere a fonte da informação: é importante analisar a fonte que enviou a informação, qual sua motivação e se costuma enviar mensagens duvidosas
  2. Leia além do título: a maioria das Fake News apresenta um título falso, dando um entendimento totalmente diferente do contexto real da informação.
  3. Confira os autores: pesquise se realmente existem e se são confiáveis
  4. Procure outras fontes da informação: pesquise sobre a informação em outras fontes, principalmente em canais confiáveis de notícias
  5. Verifique a data de publicação: muitas Fake News usam fatos antigos para confundir os leitores e proliferar informação indevida
  6. Eleve seu pensamento crítico: analise a informação antes de encaminhar ou publicar em suas redes sociais. Lembre-se que você é um influenciador em sua rede social e isso traz uma grande responsabilidade.

Se tiver dúvida sobre a informação, não compartilhe. Não passe adiante informações que não tenha certeza de que sejam verdadeiras, mesmo que possam parecer interessantes. Evite distribuir informações falsas que podem causar danos a pessoas e empresas, à sociedade.

Somos especialistas em estratégia, cultura e mudanças.

Estamos preparados para adequar sua empresa a nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e guiá-la a conhecimentos e práticas corporativas fundamentais para manter o alinhamento do propósito, visão e objetivo da sua Cultura Organizacional.

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